sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A Ciência descobre as mais antigas novidades

A Ciência descobre as mais antigas novidades

O jornal Correio Brasiliense publicou ontem a excelente matéria “Jejum vira grande aliado na luta contra o câncer”. Nela aparece uma “descoberta” de pesquisadores da Southern California University, em Los Angeles, publicada pela mais que austera revista científica Science Translational Medicine. Em resumo, a pesquisa, comandada pelo cientista Valter Longo, aponta que as células cancerígenas são mais sensíveis à redução ou ausência de nutrientes no organismo do que as células normais. Estas, quando faltam alimentos ou nutrientes, entram num estado defensivo, como uma hibernação, reduzindo intensamente seu metabolismo; já as células anormais não suportam tal situação, não tem a mesma capacidade e acabam entrando em apoptose, ou morte celular, o que leva à absorção do tumor. A pesquisa e seus resultados foram confirmados por diversos outros cientistas em outras partes do mundo, conforme a matéria. Nela foram utilizados ratos com diversos tipos de tumores malignos induzidos, submetidos a jejum, e este combinado com quimioterapia. Os resultados foram surpreendentes, com a cura total ou interrupção do tumor. Foram feitas pesquisas em seguida com seres humanos, e isso sem que se ferissem questões éticas, porque o jejum não é “remédio”. Os resultados foram marcantes, a ponto de outros cientistas se motivarem a aplicar o método e o associarem aos tratamentos convencionais.
Há alguns anos, a ANVISA, nossa Agência Nacional de Vigilância Sanitária, copiando, como sempre, a colega estadunidense FDA – Food and Drug Administration, adotou o conceito de “alimentos funcionais” e de “nutracêuticos”, com referência à capacidade de vários alimentos e seus componentes promoverem saúde e combaterem diversas doenças.
Também há quase duas décadas, a aplicação de recursos magnéticos no tratamento e prevenção de diversas doenças ganhou o mundo, depois que experiências e pesquisas (muitas registradas no Index Medicus, a biblioteca científica da Organização Mundial de Saúde) provaram, até com complicadas fórmulas e números, o poder dos imãs sobre os organismos vivos, particularmente sobre seres humanos e suas enfermidades. Hoje são dezenas de aparelhos, artefatos e sistemas de magnetoterapia reconhecidos pelas autoridades sanitárias e em pleno uso.
Também o Irisdiagnóstico – método de diagnosticar alterações do organismo por meio da visualização de sinais da íris- provou cientificamente a sua capacidade de captar diversos problemas orgânicos e hoje são centenas de publicações científicas comprovando o fato e o sistema já é utilizado por muitos médicos, isoladamente ou em associação com outros métodos.
Associado a isso, muitas plantas medicinais entraram para o rol dos recursos médicos cientificamente comprovados e são utilizadas por médicos do mundo inteiro. Aliás, hoje, cerca de 40% de todos os recursos medicinais presentes nas prateleiras das farmácias tem o mundo vegetal como fonte de suas matérias primas.
Para completar, mesmo que omitindo muitos outros itens, lembrar que a acupuntura e a homeopatia, são hoje especialidades médicas em muitos países, inclusive no Brasil, reconhecidas por sua eficácia e utilizadas oficialmente.
Ademais, o nosso país possui novas políticas públicas de saúde que geraram a Portaria 971/2006 do Ministério da Saúde, que introduz as Práticas Integrativas (Fitoterapia, homeopatia, Acupuntura, Crenoterapia, etc.) na rede pública de saúde, dentro do Programa Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) e da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterapia, como determinação até da Organização Mundial de Saúde.
Mas porque estou fazendo estas colocações?  Explico:

Há trinta e poucos anos exercendo a medicina, desde uma época em que vigorava pleno o conceito de que somente a alopatia e a cirurgia eram recursos “permitidos” e “cientificamente” aceitos, fui processado numerosas vezes pelos Conselhos de Medicina do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, justamente por aplicar vários dos métodos e recursos aqui apresentados e por ensiná-los, tanto ao público leigo quanto profissional. E até hoje ainda há dois processos “éticos” em andamento contra mim em São Paulo e outro em Minas Gerais, ambos por motivos certamente muito “graves” de “delito”; no primeiro por eu ter feito uma palestra num grande evento onde falei dos benefícios da linhaça para a saúde, e no segundo, por ter dado uma aula sobre medicina chinesa num curso de acupuntura numa empresa de Belo Horizonte. Pasmem! Acreditem!

Pois bem, a cada dia presenciamos notícias de “novas descobertas” científicas que trazem à luz elementos pertencentes às medicina tradicionais, populares, indígenas, domésticas, naturais, etc., como os que relatamos aqui. E tenho a satisfação de dizer que sempre pratiquei e apliquei métodos não convencionais de medicina, por compreender que a saúde só pode ser obtida através do respeito às leis naturais e por reconhecer que os recursos da própria natureza (alimentos, água, sol, luz, magnetismo, minerais, plantas medicinais, etc.) possuem o imenso potencial de cura, ou antes, de resgate da saúde perdida. Sempre me incomodei e preocupei com o tipo de recursos terapêuticos que a faculdade me ensinou, ou seja: medicamentos e cirurgia. Embora prescreva remédios e indique cirurgias, só o faço em casos especiais e extremos, realmente necessários, pois são recursos que lidam mais com efeitos e não com causas. Em termos de medicamentos, 90% do uso se destina a ações paliativas. Na verdade, a medicina oficial, na maioria das suas ações, não fomenta ou promove a saúde, mas combate a doença (por isso possui um “arsenal” terapêutico), ao mesmo tempo em que, paradoxalmente, vive dela e depende dela – da doença – para existir. Haja vista a influência e o poder da indústria farmacêutica. Também sempre me incomodou a questão dos efeitos colaterais (algumas drogas intoxicam, prejudicam ou matam mais do que a doença que se destina a tratar), das doenças iatrogênicas (produzidas pelo médico) e, pior, pela interação medicamentosa (resultante da ação conjunta de vários remédios dentro do organismo) que matam anualmente cerca de 170 mil pessoas, só nos Estados Unidos, pois com as especialidades médicas, muitos pacientes ingerem remédios de vários médicos sem que se conheça, até hoje, como essas substâncias interagem quando juntas. E não falemos dos elevados custos dos remédios, que mobilizam cerca de 600 bilhões de euros anualmente no mundo.

É interessante observar como as novas “descobertas” científicas tem trazido novos recursos, não alinhados à filosofia que alimenta a chamada “medicina convencional”, mas que esta, sem opções, acaba por assimilar e incorporar, como acontece com a fitoterapia médica, a acupuntura, a homeopatia, os alimentos funcionais (nutrologia), etc. e agora o jejum.....
Então me vem à memória os velhos tempos em que tratávamos as doenças dos nossos clientes com a macrobiótica (salve mestre Ohsawa!), particularmente com o arroz integral (hoje considerado um “importante” alimento funcional por ser rico em fibras, vitaminas do complexo B, etc.). Vem também os grandes resultados obtidos com o a naturopatia (Ave Dr. Lezaeta Acharam e Eduardo Alffons)... os gloriosos resultados que verificávamos com as sessões de acupuntura (todas as glórias a Frederico Spaetz, Evaldo Martins Leite, Dr. Wu, Sohaku Bastos!), do-in (salve Juracy Cançado!), os surpreendentes efeitos da homeopatia (glória, muita glória a Avicena, Paracelso, Hahnemann, Kent, Nash, Nilo Cairo, Alfredo Vervloet!). Também as curas obtidas com a geoterapia (argila), as águas minerais (oh! saudade da clínica em São Lourenço!). Sempre usei também a cura pelos alimentos (hosanah! Mestre Hipócrates, o pai da Medicina, que afirmava que a cura está na comida!) método hoje consagrado pela Nutrologia através dos alimentos funcionais. E há muito mais.

Tudo isso muito forte para mim, porém, tenho o compromisso de informar, que todo esse trabalho, que até hoje perdura, sempre foi realizado sobre forte pressão do “sistema” e do modelo médico dito “hegemônico”, ou detentor do “poder”.
Nos diversos processos nada éticos que sofri, os argumentos eram os mais absurdos e ridículos, mas não tínhamos como nos defender. Os “inquisidores” afirmavam, entre outros bisonhos disparates, que a acupuntura era uma “filosofia” oriental e não um sistema de tratamento; que a homeopatia não tinha comprovação científica; que a iridologia era “coisa de bruxo”; que as águas minerais só teriam efeito diurético (isso com centenas de universidades na Europa, já na época, ensinando a crenoterapia e o termalismo há centenas de anos...); que o magnetismo era coisa de charlatão, mesmerismo, etc.; que as plantas medicinais não eram recursos eficazes e comprovados e até perigosos, que poderiam intoxicar, matar (Drauzio Varela disse isso no Jô Soares e depois se contradiz fazendo reportagens na Amazônia onde mostrava as ações curativas de muitas ervas, inclusive várias a que fez referência no programa, como ineficazes).
Merece aqui o relato breve de um caso em que fui “condenado” pelo CRM-RJ por ter conseguido reduzir a zero a carga viral de um paciente HIV positivo (e em fase quase terminal) e eliminar todos os sintomas, utilizando somente dieta macrobiótica e uma planta chamada unha de gato (uncaria tomentosa), com base nos bons resultados obtidos por colegas alemães usando o remédio “Krallendorn”, que é à base dessa planta e para essa doença, publicados na revista científica Nature. O paciente, que na época fazia uso somente de AZT, tinha recebido antes a notícia de que no máximo três meses de vida. Com o tratamento, recuperou a saúde, a disposição, ganhou peso, voltou a praticar esportes e levava uma vida normal, até que teve que retornar à médica do serviço público que o atendia antes, por questões de documentação. A médica surpreendeu-se com o bom estado do paciente e julgou que o AZT tinha funcionado. O paciente então informou a médica o tipo de tratamento a que se submeteu. Bem, em poucas semanas recebi uma intimação para comparecer ao CRM-RJ, pois a médica havia me denunciado por “charlatanismo”. A acusação era de eu estar “aplicando métodos não reconhecidos pela comunidade científica”. E não adiantou ter apresentado os trabalhos dos médicos alemães. Mas não deixei por menos. Só mostrei aos “conselheiros” que o contrassenso de estar sendo acusado... por ter tido sucesso!....e que o verdadeiro espírito médico, ou científico seria  valorizar o resultado e procurar conhecer o fenômeno. Não ficaram satisfeitos quando eu afirmei que aquele era um comportamento retrógrado, anticientífico e subdesenvolvido.
E tive muitas outras acusações similares que poderiam compor um livro de anedotas. Mas agora aproveito essa matéria sobre o jejum para finalizar este texto fazendo um comentário. Como eu sempre apelei para o jejum como recurso para o resgate da saúde, volta e meia surgiam comentários e até acusações, com a afirmação sombria de que “o jejum é perigoso e pode espoliar o paciente em termos de nutrientes e até matar”. A matéria é clara, mas só faz alusão ao câncer, sendo que o Jejum é chamado de “terapia universal” e serve para praticamente todas as doenças e representa o recurso ultérrimo do médico consciente, quando se esgotam os seus recursos comuns. Mas somente na questão do câncer, o jejum é realmente eficaz porque com a redução da oferta de nutrientes, as células saudáveis realmente são mais resistentes e entram “em off” ou estado de “hibernação” quando faltam os mesmos, ao passo que as células malignas são mais sensíveis e entram em estado de apoptose, ou morte celular, o que interrompe o crescimento do tumor e até o faz gelatinizar-se ou desaparecer, conforme mostram as recentes experiências. Essa é a informação científica hoje apresentada sobre o efeito do jejum, mas nós médicos naturistas e holísticos não tínhamos antes essa explicação e apenas observávamos os resultados. Baseávamo-nos, há várias décadas, na experiência dos antigos, de séculos ou milênios atrás, mas sempre fomos combatidos e até ridicularizados, pois não tínhamos antes como explicar o método à luz da ciência acadêmica.

Resolvi escrever esta matéria porque ao ler a notícia do jejum no jornal, me veio à mente o seguinte: se a todo instante métodos, recursos terapêuticos não convencionais são explicados à luz da Ciência e incorporados ao sistema oficial, podemos inferir que o posicionamento, o critério que hoje é a base do modelo médico para definir ou caracterização do que é ou não “oficial”, é inapropriado, justamente porque falha, e falha porque é refratário, e assim o é porque é limitado na sua perspectiva ou capacidade de conhecer e apreender os fenômenos. Então, por uma questão lógica, esse tipo de abordagem não é e não pode ser confiável e deve ser desabonado. O modelo vigente é tão refratário e limitado na sua capacidade perceptiva que trabalha contra si mesmo, duvidando de absolutamente tudo surge no seu seio, para, depois de muita luta por parte dos seus autores (como Harvey e a circulação sanguínea, Pasteur e a teoria microbiana, Sommelweiss e a febre puerperal e milhares de outros casos), aceitar como verdade definitiva, e aqui mais um engano, porque nada é definitivo e o que caracteriza a evolução da ciência, é justamente a velocidade com que novas teorias derrubam as antigas. Seus representantes, portanto, não tem mais direito de se posicionarem como autoridades incólumes, indefectíveis e todo-poderosos. Há algo  a ser ajustado na questão da metodologia científica e essa revolução está em plena expansão. Estamos presenciando, no seio acadêmico, uma profunda – e mais que necessária – mudança de paradigmas, onde o critério analítico-cartesiano-newtoniano, nitidamente reducionista, está cedendo lugar para a visão holística, ou antes, relativista-integrativa, com a qual as novas gerações de cientistas estão mais familiarizadas conforme a cosmovisão de Max Planck, que escreveu: “Uma nova descoberta científica não se torna aceita porque seus autores conseguem convencer seus colegas opositores, mas sim porque estes morrem e surge uma nova geração acostumada à verdade”.
Porém esta época fantástica tem derrubado velhos tabus científicos e aberto as portas para novas dimensões do pensamento e do conhecimento, em vertiginosa revolução. E já era tempo. Estamos adentrando uma fase da evolução humana em que a nova forma de compreender a vida, suas leis e seus fenômenos, não mais vai ser sombreada pela ignorância, pelo personalismo, pela tendenciosidade, pela arrogância, pelo poder, pela estupidez de quem se considerava dono da verdade. Quem viver verá. E quem não viver também verá, porque a vida universal é contínua e não pára. Saúde.


Marcio Bontempo

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Opinião sobre anfetamínicos - Matéria do Correio Braziliense

Médicos pressionam contra proibição de medicamentos, mas Anvisa não cede
Publicação: 18/02/2011 07:05 Atualização:
Diante da possibilidade de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) retirar do mercado brasileiro a sibutramina, um dos inibidores de apetites mais usados no país, além de outros três remédios para emagrecimento chamados anorexígenos anfetamínicos (anfepramona, femproporex e mazindol), médicos se veem sem alternativas para o tratamento da obesidade com uso de medicamentos. “Não existe nenhum outro com essas propriedades”, afirma Ricardo Meirelles, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

Estudo da Anvisa concluiu que os medicamentos têm eficácia desproporcional em relação aos problemas que podem causar, como dependência, arritmias cardíacas e aumento da pressão arterial e pulmonar. Uma audiência pública do órgão vai propor, na próxima quarta-feira, o cancelamento do registro desses inibidores. O único remédio que fica à disposição dos pacientes é, segundo os especialistas, o orlistate, que dificulta a absorção de gordura pelo organismo, reduzindo o valor calórico do que é ingerido. O uso dele, no entanto, pode causar problemas aos pacientes se não for usado em conjunto com os inibidores. “Se a pessoa comer mais do que o normal, o intestino passa a funcionar de maneira excessiva e provoca uma diarreia intensa. O inibidor ajuda a educar o paciente para que ele não coma muito”, explica Ricardo Meirelles.

ControleO médico Márcio Bontempo, da Associação Brasileira de Nutrologia (Aban), costuma receitar a seus pacientes remédios fitoterápicos — produzidos com produtos naturais —, mas também acredita que a proibição dos inibidores convencionais pode ser um prejuízo. Segundo o nutrólogo, a suspensão tende a criar aumento de doenças relacionadas à obesidade, como a diabetes tipo 2 e problemas de coluna, além de aumentar a procura pela cirurgia bariátrica — de redução de estômago —, “que tem mortalidade de 2%”, diz. Para ele, o ideal seria tornar ainda mais rigososa a fiscalização da venda. “Se conseguíssemos ter um controle médico maior, seria interessante manter pelo menos a anfepramona”, acredita. O Brasil não tem remédios com o mesmo princípio ativo dos que serão questionados na audiência da próxima semana, segundo Maria Eugênia Cury, chefe do Núcleo de Investigação em Vigilância Sanitária da Anvisa. No entanto, o estudo do órgão descarta a possibilidade de se abrir exceções: “Em nenhum deles se encontrou mais benefícios do que o outro, a ponto de poder ser liberado”, diz.

Os fitoterápicos até são uma opção para o tratamento da obesidade, como defende o nutrólogo Márcio Bontempo. No entanto, ele mesmo ressalta, será preciso ter mais paciência para perder peso, já que os efeitos não são imediatos como os dos anorexígenos anfetamínicos. Mas os resultados tendem a ser mais duradouros depois que a medicação é suspensa. “O processo é feito em um prazo maior. Eles não são excitantes do nervoso central e não criam dependência. Anfetamínicos podem criar”, explica.

O consenso entre os profissionais de saúde está no uso associado desses inibidores de apetite com a reeducação alimentar e a prática de atividades físicas. “A gente usa como auxiliar para modificar os hábitos, e não como uma solução em si”, defende Ricardo Meirelles. Ele afirma que o problema está no desejo de soluções urgentes, que provocam o uso de maneira inadequada.

A falta da combinação recomendada pelos médicos faz com que a empresária Camila dos Santos Quilici tenha de conviver com o temido efeito sanfona. Aos 22 anos, ela já recorreu à sibutramina pelo menos três vezes para emagrecer, sempre com o acompanhamento de endocrinologista. “Cheguei a perder entre 6kg e 7kg em um mês, mas engordei tudo de novo”, lamenta. Hoje, além de ter recuperado o peso, aumentou mais 5kg, e deseja recorrer a métodos ainda mais agressivos. “Queria fazer redução de estômago, mas os exames não apontam a taxa de IMC (índice de massa corpórea) necessária.”

[Fonte: Correio Braziliense - 18/02/11]

Observações: 1ª - Dr. Marcio Bontempo é pós-graduado em nutrologia, o termo correto seria nutrologista. 
2ª - A sigla da Associação Brasileira de Nutrologia é ABRAN.
[Equipe Dr. Marcio Bontempo - www.drmarciobontempo.com.br]

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Movimento Brasileiro de Ecovilas

Breve resenha sobre o encontro das Ecovilas de Brasília, dia 10/2/2011

O encontro aconteceu na sede da União Planetária, instituição membro do Conselho Mundial da Cidadania Planetária. Foi um evento muito rico, pleno de energia especial, do qual participaram cerca de 150 pessoas, de todas as profissões, atividades e origens, irmanadas em torno do  mesmo ideal, que é o da vida em harmonia com a natureza, a saúde, o preparo para eventuais desastres naturais, mas, acima de tudo, de se integrar a um movimento de formação de núcleos de permacultura e convivência social organizada, diferenciada do convencional, voltada para a difusão de um modelo de vida solidário, fraterno, em harmonia com as leis naturais.
Tivemos um evento apenas preliminar, de modo a que as pessoas se conhecessem, que contou com a presença de ecovileiros, proprietários rurais interessados em organizar eco-comunidades de permacultura, representantes de ecovilas da região do Planalto Central (entre elas as ativas Bona Espero, Ipoema, Vale Dourado, Agenda Aquariana) e interessados em participar ou morar em ecovilas. Porém, a tônica principal foi a comunhão em torno da ideia de que o modus vivendi atual é insustentável e que carecemos de fato de uma mudança de estilo de vida. A questão da possibilidade de um desastre natural em proporções gigantescas, com  o risco de uma forte crise de desabastecimento -  embora valorizado e dimensionado no encontro -, ficou em segundo plano, diante do entendimento comum de que é preciso uma mobilização de integração e comunhão em torno das ecovilas/permacultura e sua filosofia.

Dr. Ulisses Riedel
Além deste escriba - que apresentou os trabalhos-, participaram diversas pessoas se manifestaram com seus comentários e visão da situação, entre eles, Dr. Ulisses Riedel, presidente da União Planetária; Professor Moacir Bueno, presidente do Instituto Brasiliense de Meio Ambiente; Alex Dumont, oceanógrafo e ambientalista, e muitos outros que abrilhantaram a noite. Sentimos que desde o Movimento Médicos Pés Descalços de São Lourenço, MG - onde surgiu o conceito de Comunidade Rural Sustentável como embrião do conceito de "Ecovilas" - não víamos um cabedal tão intenso de energia e força, identificando com isso os inexoráveis e determinantes ciclos da Lei Divina.

Em breve divulgaremos a agenda do próximo encontro, principalmente como oportunidade  de participação para quem não pode estar presente fisicamente, com a chance de fazerem parte do grupo diretivo.

Aos que estiveram presentes, solicitamos aguardar contato, mas manterem-se integrados através do grupo Movimento Brasileiro de Ecovilas, no Facebook, que provisoriamente será um meio de contato.

Será definido o grupo diretivo de Brasília sem demora, pois temos decisões importantes a tomar e organizar nossa agenda de ação. O nome do Grupo Ecovilas2011 mudou para MOVIMENTO BRASILEIRO DE ECOVILAS.

 Muita luz e sempre

Marcio Bontempo 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Fórum Nacional discute os impasses da saúde no Brasil

Realizou-se no dia 04 de março de 2010, no Senado Federal, em Brasília, o “II Fórum Nacional de Políticas de Saúde” que trouxe à reflexão o tema “Sustentabilidade do Setor de Saúde no Brasil”, com o objetivo de promover um amplo debate entre representantes do poder público e privado, sociedade civil, gestores e profissionais da área, na perspectiva de pautar e identificar caminhos que levem a construção de políticas que venham garantir o direito universal à saúde e sua manutenção para um futuro indefinido.

0s temas de diretrizes aos trabalhos do dia foram:
· Desafios da equidade da saúde e sustentabilidade do SUS
· Políticas para assegurar a sustentabilidade da saúde suplementar
· Sustentabilidade da política de acesso universal a produtos inovadores
· Estratégias para um futuro com saúde, e
· Iniciativas Pró Sustentabilidade da Saúde

Registro de participação como conferencista
.Congresso Nacional - Darcísio Perondi - Deputado Federal PMDB/RS e Presidente da Frente Parlamentar de Saúde
.Congresso Nacional – Solange Amaral - Deputada Federal DEM/RJ e presidente da Procuradoria Especial da Mulher
.Congresso Nacional - Dr. Ubiali - Deputado Federal PSB/SP e Tesoureiro Adjunto da Frente Parlamentar da Saúde
.Conselho Nacional de Saúde - Francisco Batista Júnior - Presidente
.Associação Nacional do Ministério Público de Defesa da Saúde - Jairo Bisol - Presidente
.Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo - Nelson Mussolini - Vice Presidente Executivo
.Federação Nacional de Saúde Suplementar – Sandro Leal Alves – Gerente Técnico
Moderador: Márcio Bontempo – Presidente da Federação Brasileira de Medicina Tradicional.
[Fonte: Integrabrasil]

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Fantástico, Drauzio Varella, as plantas medicinais e o lobby da indústria farmacêutica

Esse programa do Fantástico com Drauzio Varella e as plantas medicinais, é apenas uma reação da indústria farmacêutica preocupada com a PNPMF - Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterapia, do Ministério da Saúde (que foi lançado em 2006 por Lula e autoridades) e assim eles mobilizam a mídia. O Drauzio talvez nem saiba que está sendo usado, porque ele faz pesquisas sérias sobre os efeitos anticancerígenos de muitas plantas. A preocupação dele é basicamente o uso irresponsável de plantas e fitoterápicos. Claro que dói ver na matéria o excesso de pressão sobre os "perigos" das plantas, inclusive a babosa...Certamente que cuidados são necessários com as plantas, mas muito, muito, muito mais cuidados precisamos ter com os medicamentos...e isso não aparece nessas matérias tendenciosas. As autoridades sanitárias são permissivas, em sua subserviência aos interesses da indústria lobista dos remédios (que fatura 600 bilhões de dólares anualmente no mundo), pois permitem propaganda de remédios na TV, etc. Isso é ridículo, pois, até onde se sabe, propaganda é para incentivar o consumo. E depois a propaganda termina com a frase infame: "Ao persistirem os sintomas, um médico deve ser consultado", como se um leigo soubesse quando deve exatamente procurar um médico numa situação, por excemplo, de uma dor de cabeça antiga, que pode ser um tumor em crescimento. Isso é nitidamente para proteger a IF e incentivar a produção e o lucro. Esses mesmos interesses que alimentam os cartéis no Congresso Nacional, vacinando parlamentares e financiando tanto campanhas como muitos mandatos, são aqueles que permitem aberrações, como o caso do Viagra (agora mais barato)...um medicamento que pode matar, causar danos terríveis ao coração e ao cérebro (é só ler a bula), que deveria ser tarja preta, receitado apenas por médico, mas que QUALQUER UM, INCLUSIVE JOVENS PARA AUMENTAR A PERFORMANCE SEXUAL - OS MAIORES FREGUESES DA DROGA - PODEM ADQUIRIR SEM RECEITA ALGUMA. Por que essa situação? A resposta está na mesma esfera dos motivos que criam programas tendenciosos assim. Quero ver o Fantástico fazer uma matéria contra isso, o caso do Viagra. Não fazem!
O recente escândalo do Viox, um antiinflamatório (que diga-se de passagem, intoxicava e pouco funcionava), foi lançado pela IF com grande alarde, com bilhões em investimento...para depois de alguns meses sair do mercado porque estava matando gente do coração! E todos os anos a IF e a Anvisa retiram dezenas de medicamentos do mercado. Então estamos sob risco, porque a pergunta que não quer calar é: quantos dos remédios que nós médicos estamos receitando e as pessoas comprando livremente nos balcões de farmácia, ou mesmo recebendo do SUS, não serão, um dia, retirados por ter se descoberto que produzem danos. O irônico é que muitos remédios saem de circulação e são proibidos, muitas vezes, não porque produzem danos, MAS PORQUE NÃO FUNCIONAM!!! Hilário...se não fosse triste. E depois o programa aponta que plantas não funcionam.... apesar de pesquisas científicas sérias mostrarem o contrário..E por falar em pesquisas, esses medicamentos que são retirados das prateleiras todos os anos, não passaram por pesquisas? Passaram. E são por essas pesquisas e experiências que o programete global diz que as plantas deveriam passar. Então como fica a situação?
Sabemos que, a contar com a metodologia aplicada nas pesquisas científicas, os resultados podem ser usados para afirmar o que se queira, como o faz a IF mundial.
Uma coisa o Fantástico não mostra: os dados da Americam Medical Association apontando que morrem cerca de 170 mil pessoas nos EUA por causa da interação medicamentosa- um fenômeno produzido pelo consumo de vários remédios juntos pelo mesmo paciente - , erro de tratamento e escolha errada do remédio..e por médico!. No Brasil acontece o mesmo, mas não temos estatísticas. Mesmo porque não interessa divulgar, pois somos o segundo maior consumidor de medicamentos do mundo! Também não se aponta que raras pessoas morrem devido ao uso de plantas medicinais. Não há estatística porque o número é irrisório.
O paradoxo desse programa do Fantástico - é bom que a população saiba - é que a matéria reduz a importância das plantas (sob o pretexto de que podem fazer mal se mal utlizadas), quando o Brasil é a maior biodiversidade de plantas do mundo! E daqui saem, clandestinamente, milhões de toneladas de plantas e remédios da Amazônia....
E é bom que a população saiba também, que cerca de 40% de todos os remédios de farmácia tem como base plantas medicinais ou derivados das mesmas. Então como "não funcionam"?
Essa matéria, embora seja até útil para apontar alguns abusos e charlatanismos, da forma como aterroriza o telespectador em relação às plantas, vai na contramão das novas políticas públicas de saúde, que estão utilizando a fitoterapia na rede pública, com plantas estudadas profundamente pelo Ministério da Saúde e publicadas em manual científico. Também está na contramão, porque existe a Portaria 971 do MS que contempla a fitoterapia e, mais do que isso, a própria Organização Mundial de Saúde (órgão máximo de saúde no mundo, muito maior do que qualquer emissora de TV), em sua nova política, recomenda aos países membros o uso de recursos mais simples, menos danosos á saúde, mais baratos, inofensivos, cientificamente comprovados e estudados, eficazes e mais identificados com a cultura milenar da humanidade, as plantas medicinais, tudo sintetizado no conceito da Medicina Tradicional.
Bem, certamente Drauzio sabe disso e o que irrita, certamente, é ver um profissional do gabarito dele, um estudioso, estar sendo envolvido por essa situação. O magnífico trabalho dele na TV com o caso das grávidas contrasta com o atual, embora o clima do programa pareça de preocupação e de cuidado com a saúde pública.
Mas estamos diante de uma revolução nos conceitos de saúde e esse programeteprogramete acabou com o confrei (lembram? e tenho pesquisas que provam o efeito dele), mas não tem poder para acabar com uma revolução na Saúde, que é planetária. Afinal, assim como a saúde é maior do que a medicina, a Consciência é maior do que a mídia.
E para aqueles que chamaram o Dr. Drauzio Varella de "Mr. Magoo" da medicina, peço mais respeito, porque ele é meu colega na alopatia (também prescrevo remédios quando realmente necessários e sigo a propedêutica médica). Todos têm o direito de ter conceitos divergentes e de cometer erros, mas ele, Drauzio, tem um lado fortemente bem intencionado, assim penso e rezo.

Marcio Bontempo
Presidente da Associação Brasileira de Medicina Tradicional

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Ressignificando o sentimento “verde”- a Nova Ideologia

Por Marcio Bontempo

O Partido Verde brasileiro, em seu manifesto, mostra claramente que sua ideologia e princípios apresentam um conteúdo muito além de uma simples visão ambientalista. Seguindo a tendência mundial dos chamados greens, mas ampliando o seu sentido, o Partido Verde do Brasil entende e ensina que ser “verde” é muito mais do que somente atuar em defesa da natureza pelo modo trivial. Ser “verde” significa não só entender, mas redimensionar o fato de que os seres vivos são elementos interdependentes e partes da complexa trama que forma a Unidade da Vida. Significa uma percepção que tem como base a consciência e a cidadania planetárias, a busca de um sentido existencial objetivo, o cultivo de valores humanistas, o crescimento espiritual e a maturidade cívica planetária. Ser “verde” significa trabalhar para a construção de uma nova sociedade através do cultivo do senso de solidariedade, com atitudes concretas de fraternidade, ética, sensibilidade, simpatia e gentileza. O sentimento “verde” nos mostra que essas atitudes dependem da transformação de cada um e da expressão de nossas potencialidades internas. Somente com a o cultivo da solidariedade, da fraternidade, da amorosidade, é possível criar um novo mundo, livre do sentimento fraticida, belicista e de domínio que vigora, por enquanto, na Terra.

O novo significado do sentimento “verde” aponta que é essencial uma nova ótica, uma nova visão filosófica que começa com o respeito e a valorização da diversidade, amplia-se na percepção da unidade da vida e contempla uma nova atitude, que tem como fulcro a redução do egocentrismo, substituído pelo altruismo, como resultado de uma profunda revisão de nossos valores. Com isso, as nossas diferenças – que geralmente nos afastam uns dos outros -, devem ser respeitadas e redirecionadas com o objetivo de nos unir, em puro espírito solidário e pacífico. Não adianta falarmos de paz se não a cultivarmos em nossos corações e atitudes; fora disso, falar em paz é hipocrisia.

A nova ideologia “verde” está repensando a Economia, colocando-a a serviço da sustentabilidade e da justiça social, convocando todas as instituições a repensar também seus papéis na formação de uma civilização solidária que expresse suas inspirações maiores: paz, respeito mútuo, felicidade, coerência, harmonia e cooperação. O sentimento “verde” mostra que para garantirmos um futuro alvissareiro, precisamos desenvolver a genuína sabedoria espiritual, pela integração das diferentes visões, sejam religiosas, científicas, filosóficas, ideológicas, etc.

Aplicado aos vários setores da atividade humana, o sentimento verde mostra que na Educação deve-se privilegiar os valores éticos; a Economia e a tecnologia devem estar dirigidas prioritariamente para o bem-estar e as necessidades humanas; a política e o serviço público devem ter como base primordial a ética, o servir e não o “se servir”; as religiões devem estar direcionadas para a espiritualidade, a religiosidade, a tolerância, o respeito mútuo e essencialmente para a irmandade universal.

O sentimento verde é fruto do surgimento no planeta de um novo paradigma existencial, lastreado na fraternidade e na ampla proteção da vida, a partir de uma mudança individual de comportamento, com base no novo senso de coletividade e participação.

O sentimento verde é aquele que cria a consciência coletiva da responsabilidade individual e a consciência cívica planetária, capaz de eliminar todas as fronteiras, quando preponderará o sentimento libertário e se implantará a verdadeira fraternidade entre os homens, escudada no amor universal. O sentimento “verde” é nova ideologia humana. O sentimento verde não é um conceito, é um estado de espírito.

Como melhorar de fato a Saúde Pública no Brasil


O modelo atual de prestação de serviços de saúde, apesar de toda a evolução do Sistema Único de Saúde - o SUS, ainda é ineficiente e não cumpre o desiderato apontado na Constituição, de que é dever do Estado oferecer ao cidadão todos os meios para que ele goze de boa saúde. Ao contrário, o modêlo continua sendo alvo de críticas e, historicamente, se mostra como um sistema que oferece serviços de baixa qualidade à população e remunera mal os profissionais da rede pública de atendimento. As verbas federais repassadas aos estados e municípios, continua insuficiente para bem atender a todos os programas do MS e as necessidades da população.
Enquanto não são de fato ventiladas as causas desse caos, continuarão a perdurar as filas nos hospitais e clínicas; continuarão exames, consultas e cirurgias a serem marcados com datas ridiculamente distantes (muitas vezes quando o paciente melhorou por conta própria ou morreu); continuará a persistir a insatisfação do usuário; continuarão a morrer cidadãos que necessitam de, por exemplo, hemodiálise, que não conseguem agendar seu procedimento por falta de equipamento e espaço; continuará o sucateamento e todos demais itens da enorme lista de problemas da asistência à saúde pública no Brasil.
E quais as causas reais dessa situação?
Apesar de muitas propostas de solução para a questão da assistência à saúde pública, nenhuma delas tem se mostrado eficaz, pois elas carecem do elemento essencial, que não é comumente verificado nas discussões:
Temos um sistema de assistência e uma política de saúde inadequados à realidade social, cultural e econômica brasileira.
No Brasil o Governo investe muito no setor terciário (tecnologia de ponta, equipamentos caros, hospitais, etc.) e pouquíssimo, quase nada, no setor primário de saúde.
O setor primário em saúde é aquele em que se valoriza o aspecto cultural da população, identificada com seus princípios, valores, recursos naturais e humanos, além de outros elementos, utilizando-se pessoas e profissionais como agentes de saúde para atuar dentro das comunidades, capacitados, assistidos por profissionais de maior formação técnica, dentro de um modêlo multiprofissional e multidisciplinar de atenção à saúde. Foi o foco e o investimento no setor primário de saúde que produziu uma verdadeira revolução na situação de saúde da China, Índia, Cuba e diversos outros países, incluindo a re-incorporação da medicina tradicional.
O sistema e a política de saúde no Brasil é por demais centralizado no médico (dito “iatrocêntrico”) e, portanto, fundamentado no princípio de combate às doenças (que é aquilo para o qual o médico é treinado). O resultado é que a terapêutica centrada na medicação, na cirurgia ou ambos.
As verbas repassadas pelo Governo Federal aos estados e municípios para a saúde, não são suficientes para atender a todas os programas e as necessidades da população, resultando numa situação caótica, onde a chamada “municipalização da saúde”, como reza a política de saúde atual do SUS, torna-se impossível.
Numa linguagem simples, fugindo do “sanitarês”, para todos entenderem:
No atual modelo cidadão procura o serviço de saúde quando tem algum problema. Geralmente quando chega a um serviço, a sua doença já está adiantada ou é irrecuperável, o que, certamente, onerará os cofres públicos. O caso do diabetes é típico, pois quando se procura o médico, a doença já está em estágios ulteriores. Por isso o modelo atual é caro, oneroso e voraz, pois quanto mais cresce a população, avolumam-se os problemas, devido ao crescimento da demanda.
Na atenção primária na saúde - a exemplo do que aconteceu em diversos países, como a China, a Índia, e Cuba – não é o cidadão quem procura o serviço, mas o inverso: o serviço procura o cidadão, através da visitação domiciliar, seja do agente comunitário de saúde (elemento chave no processo), do médico, da equipe multiprofissional, etc., que atuam em postos avançados de saúde, preferencialmente dentro da comunidade. Desse modo, muitas doenças que estão em desenvolvimento, sem apresentar ainda sinais e sintomas, podem ser detectadas e tratadas, as mesmas que, mais tarde, estariam exigindo internação, tratamentos caros, etc., consubstanciando as diretrizes da melhor das medicinas, que é a verdadeira medicina preventiva. Além disso, cada cidadão ou família recebe orientação preventiva, remédios, vacinas, orientação de higiene e alimentação, etc. de modo a evitar as doenças, melhorando a qualidade de vida. Com isso, têm-se condição de conhecer a situação de saúde da população de modo quase personalizado (como o que ocorreu na China), onde relatórios rotineiros apresentam a real condição da população.
Com isto diminui-se drasticamente a procura às clínicas e hospitais, o que repercute na economia com as ações de saúde. Desde que esta inversão de modelo e política se faça com a atuação conjunta de uma equipe multiprofissional, consegue-se realizar aquilo que representa a chave que abre a porta para a revolução no sistema de saúde no Brasil - compreendido por poucos - que é a “desmedicalização” das ações de saúde, ou seja, reduzir a carga sobre os médicos dessas ações e distribuir essa carga e a responsabilidade para outros profissionais da área da saúde ou correlatos.
Esta é a recomendação da Organização Mundial de Saúde que, desde 1984, vem divulgando as diretrizes da Medicina Tradicional e estimulando os países membros a aplicar em seus sistema s de saúde a ideia de valorizar e utilizar os recursos humanos e naturais. Com base nessa filosofia, o nosso Ministério da Saúde lançou em 2006 a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares de Saúde, com a publicação posterior das Portarias 971 e 853, que instituem recursos como a Fitoterapia, a Acupuntura, a Homeopatia e vários elementos da Medicina Tradicional na rede pública de saúde, o SUS, em todo o território nacional. Isso representou um grande passo em direção a uma mudança ou evolução na oferta dos serviços, mas essas portarias não estão regulamentadas e não estão sendo postas em prática, a não ser em alguns municípios, porém de modo insipiente. É necessário capacitar profissionais de saúde – preferencialmente agentes comunitários de saúde e terapeutas naturistas - para assumirem o desiderato apontado nessas portarias.
O Ministério da Saúde criou o PSF - Programa de Saúde da Família, que está sendo aplicado em muitos estados e municípios, porém ele carece de estrutura e de base, estando ainda centrado demais no médico. Esse programa é importante e pode representar o ponto de partida para as mudanças necessárias na política de saúde aqui apontadas, desde que apropriadamente utilizado e adaptado.
Realidade:
O Brasil é o país de maior biodiversidade do mundo e o mais rico em plantas medicinais e recursos terapêuticos naturais, além dos recursos humanos culturais tradicionais como raizeiros, parteiras, curandeiros, pajés, na mais exuberante etnomedicina conhecida. No entanto, é o terceiro maior consumidor mundial de medicamentos e o país que paga pior os profissionais da área.
Precisamos de recursos mais baratos, mais simples e eficazes, com as plantas medicinais e outros recursos naturais, que não onerem a economia familiar, do cidadão ou do próprio governo. Os fármacos - apesar de necessários em muitos casos, principalmente agudos – são extremamente caros e não curam as doenças de fato. Há recursos integrativos e complementares mais simples como as ervas medicinais (muitas já catalogadas e aprovadas pelo Ministério da Saúde) a terapia pelos alimentos e recursos naturais, aos quais o povo brasileiro está culturalmente identificado e adaptado.
[Dr. Marcio Bontempo - Médico Sanitarista]